Quando
eu tinha 15 anos, sabia desenhar
como Rafael, mas precisei de uma vida inteira
para aprender a desenhar como as crianças”.
Pablo
Picasso
Para
o adulto, a arte do desenho, da pintura e escultura tem como
finalidade representar a natureza, com as figurações
(pessoas, animais ou coisas) obedecendo às leis das perspectivas;
mas para as crianças estas leis não são
consideradas, pois elas ainda são incapazes de retratar
o espaço tridi-mensional.
A
criança, quando pinta, desenha ou faz modelagem, não
se preocupa em reproduzir o que vê, ou seguir as orientações
do adulto. Ela quer, sobretudo, criar conforme seus próprios
impulsos, valorizando detalhes que lhe interessam.
Na
fértil e liberta imaginação infantil, as
cores são de enorme importância e especial encantamento.
O colorido não sofre limitações. A criança,
embora não veja nenhuma vaca azul, certamente a pintará
com esta cor, ou vermelha, verde, roxa etc., podendo enriquecer
o visual até com uma intensa combinação
de cores.
Na
arte infantil também não há proporções
naturais; para a criança o tamanho das figuras é
determinado pela importância que ela atribui à pessoa
animal ou coisa. E uma lógica própria, que nada
tem a ver com a lógica dos adultos. O mundo, na arte infantil,
é bastante surrealista...
A
criança, ao desenhar, e isto é importante, domina
as figuras, faz com elas o que bem quer. É uma relação
que o adulto não consegue entender. Uma bruxa, cuja rotina
é ser representada vestida de preto, voando numa vassoura,
pode ser desenhada, pela criança, vestida de cor de rosa,
chapéu florido, pilotando uma motoca.
O
austríaco Franz Cizek, um estudioso da arte infantil, em
suas observações feitas ao longo de 41 anos (1897
- 1938) chegou à convicção de que, na arte,
a criança percorre três fases, até atingir
a puberdade, quando perde a espontaneidade criadora e passa a
aceitar as regras que lhe são impostas.
Sir
Herbert Read (1893 – 1968), escritor inglês, líder
do Movimento Educação pela Arte, professor em
várias universidades britânicas, também
analisou a força de expressão da arte infantil.
Além dele, outros estudiosos observaram as seguintes
fases:
“O
realismo descritivo, quando a criança pinta o que sabe
e não o que vê".
"O
realismo visual, quando ela tenta a representação
tridimensional".
"A
fase entre os 13 e 14 anos, quando se acentua o interesse em
copiar a natureza".
"O
último estágio é o despertar artístico,
ao redor dos 15 anos, fase que a grande maioria das crianças
não consegue atingir".
O
primeiro a perceber e dar importância à arte infantil
foi o célebre pensador franco-suíço Jean-Jacques
Rousseau (1712 – 1778); ele observava: "a criança
não é apenas um ser pequeno em fase de crescimento,
mas, também, é possuidora de uma individualidade
que ela procura externar de forma as mais diversas".
Por
sua vez, o médico e pedagogo suíço Édouard
Claparède (1873 – 1940), fundador do Instituto
Jean-Jacques Rousseau, afirmava:
“Desenho
é um pedacinho da alma da criança que ela deita
no papel”.
Em
1954, a Unesco (Organização das Nações
Unidas para Educação, Ciência e Cultura)
editou o livro "Art et Éducation", bastante
ilustrado com desenhos infantis vindos de vários países.
Portanto,
neste nosso século XXI saibamos entender que desenhos
infantis falam, e que as crianças são tocadas
por uma iluminação divina.
Centro Cultural da Justiça Federal
A importância da arte infantil foi bem avaliada pelo Desembargador Paulo Barata - quando presidia o Centro Cultural da Justiça Federal - ao dar amplo apoio ao projeto de Nete Buback de apresentar uma exposição de desenhos de crianças nos salões daquela instituição. O evento que seria realizado em 2006 não foi concretizado em razão de dificuldades temporárias, alheias ao projeto, mas que não impedem sua efetivação em futuro próximo.