Nete
Buback tem estudado as mais diversas manifestações
artísticas, do clássico ao contemporâneo,
sensível à ânsia criadora inerente ao ser
humano. Repele qualquer intransigência na apreciação
de uma obra de arte e aponta, como exemplo, o fechamento da Bauhaus,
na Alemanha, durante o nazismo, que chamava o vanguardismo de
"arte degenerada".
Ao
contrário, um defensor do fascismo, Filippo Tommaso Marinetti,
considerado o criador do futurismo, projetava-se mundialmente
como porta-voz dos vanguardistas. Líder de um atuante grupo
de intelectuais e artistas de Milão, buscou romper a afinidade
da Itália com o passado clássico, ao pregar o fechamento
de museus e o desprezo ao academicismo. No manifesto publicado
no jornal "Le Figaro", de Paris, em 20 de fevereiro
de 1909, Marinetti afirmava:
"Queremos
exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo
de corrida, o salto mortal, a bofetada e o soco. A beleza
do mundo enriqueceu-se com a beleza da velocidade. Um automóvel
que ruge é mais belo que a Vitória de Samotrácia.
Queremos louvar o homem que segura o volante".
Aí
está! Marinetti desprezava a célebre estátua
de Nike (a deusa mitológica da Vitória) esculpida
por artistas da escola de Rodes, dois séculos antes de Cristo,
exposta no Museu do Louvre. Impressionante alegoria comemorativa
de uma vitória dos gregos na guerra contra os persas.
Para
Marinetti, esta imagem capturada por Nete Buback numa competição
de motocross teria mais valor artístico do que a
Vênus de Milos...
Nazismo
e fascismo foram regimes totalitários, idênticos na
imposição do poder absoluto, expansionistas pela força
das armas, mas antagônicos na apreciação da
arte. Aferrados a extremos opostos, não admitiam a visão
subjetiva que confere, a cada ser humano, o soberano direito de
escolha.
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